Ata do Copom revela expectativa por inflação elevada nos próximos meses


SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou nesta quinta-feira (10) a ata de sua última reunião, realizada nos dias 1º e 2 de março, em que seguiu dando bastante peso para o cenário externo, ao mesmo tempo em que aponta alguns fatores desfavoráveis para a evolução da inflação no cenário interno.

Na ocasião, o Comitê decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual para 11,75% ao ano, sem viés. Por outro lado, o comitê mais uma vez destacou o papel das medidas macroprudenciais, além dos ajustes fiscais anunciados pelo Governo recentemente.


Trajetória da inflação

Segundo o Copom, a trajetória da inflação deverá ter dois momentos distintos ao longo deste ano. No primeiro, previsto pelo comitê para este e os próximos dois trimestres, “a inflação acumulada em 12 meses tende a permanecer em patamares similares ou mesmo superiores àquele em que atualmente se encontra”. Esse comportamento seria resultado de “elevada inércia trazida de 2010” e projeções que indicam a inflação em patamares próximos do padrão histórico entre junho e agosto deste ano.


Já no último trimestre, o cenário central do Copom aponta para uma tendência de queda da inflação acumulada em 12 meses. Desta forma, a expectativa é de que o ritmo de aumento de preços convirja para a direção da trajetória de metas.


Cenário da inflação

A ata desta última reunião afirma que “o cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente desde sua última reunião”. Na avaliação do comitê, o ritmo de aumento dos preços teria sido impulsionado nesses primeiros meses do ano de pelos alimentos, além de fatores sazonais e reajustes de preços administrados.


Além disso, mais uma vez o Copom destaca o risco gerado pela “persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda”, embora o comitê já identifique “sinais de que esse descompasso tende a recuar”.

Por fim, outros fatores citados pela ata no cenário prospectivo para a inflação com o qual o comitê trabalha são “a estreita margem de ociosidade dos fatores de produção”, que poderia motivar um aumento dos salários em descompasso com o aumento da produtividade, e os riscos advindos da trajetória dos preços das commodities nos mercados internacionais, que “tem se apresentado envolta em grande incerteza”.

Fonte: InfoMoney