Crise da dívida na Europa não deve ser subestimada, diz diretor do FMI
A crise da dívida soberana na Europa é séria e não deve ser
subestimada, afirmou o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional
(FMI), Dominique Strauss-Kahn, em entrevista após uma reunião com o
ministro de Finanças da Índia, Pranab Mukherjee, nesta quinta-feira (2).
A crise fiscal que começou com a Grécia no início deste ano e agora
inclui a Irlanda está ameaçando se espalhar para Portugal e outros
países, como Espanha e Itália.
"Nós não devemos subestimar a importância dessa crise que, na
Irlanda, tem origem majoritariamente no setor bancário. Mas eu acho que
a decisão que foi tomada vai resolver os problemas do setor e a
economia irlandesa vai voltar ao caminho certo rapidamente", disse
Strauss-Kahn, referindo-se à ajuda oferecida pela União Europeia e o
FMI ao país no último domingo.
"Por um lado é possível dizer que não é um problema tão grande
porque economias pequenas como Grécia e Irlanda são apenas 1% do PIB da
zona do euro", disse Strauss-Kahn. No entanto, observou, pequenas
economias podem causar danos globais graves, já que as ligações
econômicas estão cada vez mais fortes.
Algumas economias não estão muito longe da beira do abismo e
precisam manter ou voltar para uma situação fiscal melhor, afirmou a
autoridade. "Portanto, toda a zona do euro agora tem de lidar com uma
consolidação fiscal no médio prazo". Strauss-Kahn disse que alguns
países avançados precisam de planos fortes de consolidação de médio
prazo e outros precisam melhorar sua situação fiscal.
"Eu vou participar da reunião (de ministros de Finanças da zona do
euro) na segunda-feira em Bruxelas e eu acho que eles têm cuidado da
situação na Europa da forma correta", disse.
Alertando para o fato de que a recuperação econômica global ainda
permanece desigual e frágil, Strauss-Kahn destacou que é preciso
sustentar a recuperação.
Fonte: G1
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