Radar: acompanhe algumas das principais oscilações na bolsa nesta quarta-feira

SÃO PAULO - O Ibovespa opera em queda de 0,77% nesta quarta-feira (27), mas ainda acima dos 70 mil pontos. A sessão é marcada pelo viés negativo que predomina após especulações quanto aos próximos passos do Federal Reserve, apesar da agenda positiva de indicadores.

De acordo matéria publicada no Wall Street Journal, os bons números vindos do front econômico dos EUA devem fazer com que o Fed limite sua nova rodada de flexibilização quantitativa a “apenas algumas centenas de bilhões de dólares”.

Ainda nos Estados Unidos, os investidores observam indicadores da indústria e do mercado imobiliário. O Durable Good Orders, que mensura as vendas de bens duráveis referentes a setembro, confirmou a expectativa positiva do mercado ao apontar alta de 3,3%. Já o New Home Sales, que mede o número de vendas de imóveis novos nos EUA, ficou também acima do projetado.

Balanços corporativos

Por aqui, com o início da temporada de resultados do terceiro trimestre, a esfera corporativa conta com dia bastante movimentado. No aguardo pelos números da Vale (VALE3, VALE5), esperados para após o fechamento da sessão, os investidores já avaliam balanços de peso divulgados nesta manhã - caso do Bradesco (BBDC4), que registrou lucro líquido de R$ 2,5 bilhões no período, alta de 40,3% na base anual.


As ações são também o principal destaque negativo do índice, ao registrarem desvalorização de 4,15%, cotadas a R$ 35,37. Em relatório, o Barclays disse que os resultados vieram em linha com as suas estimativas, mas que esperava maior crescimento do crédito e menores despesas.

Ainda no setor financeiro, o Banco Daycoval (DAYC4) dobrou seus ganhos líquidos na mesma base de comparação, atingindo R$ 85 milhões. As ações da instituição operam com desvalorização de 0,83%, negociadas a R$ 11,90.

Com avanço de 58% em seu lucro líquido, para R$ 41,6 milhões, os números da Marisa (AMAR3) também se destacam nesta quarta, e as ações sobem 1,71%, para R$ 27,89. É o mesmo caso da Indústrias Romi (ROMI3), que lucrou R$ 25 milhões entre julho e setembro deste ano, expressiva alta face aos R$ 3 milhões acumulados em 2009. Os papéis exibem valorização de 1,52%, a R$ 15,33.

Ainda no tocante aos balanços corporativos, chama atenção a redução de 11,3% no lucro líquido trimestral da WEG (WEGE3), que em resposta cai 0,64%. Já os papéis da NET (NETC4) recuam 0,44%, enquanto a empresa listou queda de 76% no mesmo indicador, impactada por efeitos contábeis e tributários.

Imobiliárias

Na ponta positiva do índice, por sua vez, destacam-se as empresas do setor imobiliário, lideradas por Cyrela (CYRE3), que sobe 2,19%, para R$ 23,30. A companhia é seguida de perto por Gafisa (GFSA3), que sobe 1,63%, e PDR Realty (PDGR3). Colabora para o movimento a melhora do crédito observada em setembro. 


De acordo com a Nota de Política Monetária do Banco Central, o volume total de crédito do sistema financeiro nacional alcançou R$ 1,060 trilhão em setembro deste ano, o que representa um crescimento de 1,8% em relação ao apurado em agosto e um avanço de 15,08% frente ao nono mês de 2009. O documento mostrou também que a participação do volume de crédito sobre o PIB (Produto Interno Bruto) passou de 43,9% em setembro de 2009 para 46,7% no mesmo período de 2010. Em agosto deste ano, a parcela havia sido de 46,2%.

Tegma

Destaque também aos números operacionais da Tegma (TGMA3). De acordo com nota emitida ao mercado, foram transportados 331,3 mil veículos zero-quilômetro entre os meses de julho e setembro, quantia equivalente a uma expansão de 12,6% na base anual e de 16,4% ante o trimestre imediatamente anterior.


Com relação ao volume movimentado para exportação no período, este listou alta de 7,1% na passagem trimestral e de 50,6% contra o mesmo período de 2009. Os papéis, no entanto, exibem queda de 0,87% na BM&F Bovespa. 

Petrobras

Resultados à parte, a Petrobras (PETR3, PETR4) comunicou a descoberta de indícios de hidrocarbonetos em poço na bacia de Sergipe na última terça, conforme consta no site da ANP (Agência Nacional de Petróleo). No entanto, após a expressiva valorização da véspera, os papéis são negociados nesta tarde com recuo de 1,23% e 1,43%, respectivamente.


Vale

Outra blue chip em destaque nos principais jornais é a Vale (VALE3, VALE5), que vê seus papéis ordinários e preferenciais Classe A desvalorizarem-se 1,54% e 0,85%, para R$ 54,35 e R$ 48,78, nessa ordem. Além da expectativa pelos seus números trimestrais, esperados para o final do dia, a mineradora afirmou na última terça que a substituição de Roger Agnelli na presidência da companhia jamais foi tratada entre os acionistas nem fez parte da pauta do seu Conselho de Administração.


Há rumores de que caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita presidente do País no próximo domingo (31), Agnelli seria substituído no cargo - apesar de não ser estatal, a Vale tem em seu bloco de controle o BNDESpar e a Previ (Fundo de Pensão do Banco do Brasil), o que dá ao Governo, indiretamente, certa influência na mineradora. Além disso, a União também tem 12 golden shares da companhia, o que dá ao Governo poder de vetar determinadas decisões da empresa.

"As especulações na imprensa, que atribuem a "fontes do Conselho de Administração" informações neste sentido, não retratam a posição dos acionistas controladores da empresa", afirmou a empresa em comunicado.

AmBev

Por seu turno, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu pela absolvição da acusação feita à Fundação Antonio e Helena Zerrenner - Instituição Nacional de Beneficência de que teria feito uso de informações privilegiadas, não divulgadas ao público, com a finalidade de obter vantagem ao adquirir ações ordinárias da AmBev (AMBV3AMBV4).


O processo administrativo sancionador foi julgado na véspera e a absolvição se deve ao fato de que não foi possível comprovar que efetivamente ocorreu o uso de tais informações nacompra das ações, ocorrida em julho de 2003. Ainda assim, as ações caem 1,90%, para R$ 226,11, estendendo as perdas da véspera.

Ultrapar

A Ultrapar (UGPA4) firmou, através de sua subsidiária Ipiranga, um contrato de compra e venda para aquisição da DNP (Distribuição Nacional de Petróleo). O acordo possibilita a compra de 100% das cotas da empresa por R$ 85 milhões. O montante está "sujeito a ajustes de capital de giro e endividamento na liquidação financeira, prevista para ocorrer em novembro de 2010", segundo a Ultrapar.


Os papéis da companhia reagem com leve valorização de 0,12%, negociados a R$ 104,12. O contrato confirma a estratégia de expansão da companhia para as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, iniciada com a compra da Texaco. Assim, com a aquisição, a Ultrapar visa ampliar em 40% o volume da Ipiranga no norte do País, prevendo uma alta no market share para 14%.

Fonte: InfoMoney

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