Os livros recomendados pelos maiores investidores do mundo


Nomes renomados dos investimentos indicaram quais foram suas melhores leituras em 2012 

 


SÃO PAULO – Qualquer boa formação exige muita leitura, independentemente da área na qual o profissional atua. E no mundo dos investimentos não é diferente. Pensando em fazer uma seleção dos melhores livros de investimentos para auxiliar e até mesmo inspirar a todos, a Bloomberg ouviu sugestões de leitura grandes nomes do mercado financeiro.

Confira algumas obras recomendadas:



O célebre investidor suíço Marc Faber recomenda a obra "The greatest minds and ideas of all times", de Will Durant (Divulgação)


 A obra do escritor Nassim Nicholas Taleb, “Antifragile: things that gain from desorder”, foi a escolha do CEO da PIMCO (Pacific Investment Management CO), Mohamed El-Erian. De acordo com ele, o livro explica como é possível operar diferentes sistemas, como lidar com suas respostas e como torná-los mais flexíveis e ágeis. Também é mostrado como os erros cometidos podem se tornar um aprendizado para pessoas que lidam com diferentes questões dentro de uma companhia.


Um livro que reúne as melhores ideias de outros especialistas é o “The greatest minds and ideas of all times”, de Will Durant e editado por John Little. Segundo o célebre investidor suíço Marc Faber, diretor e fundador da empresa que leva seu nome,  a obra reúne pensamentos de Durant que servem, especialmente, para gestores de fundos que passam o dia com os olhos grudados em estatísticas. Ele analisa grandes nomes das mais diversas áreas.


No caso do CEO do HSBC Holding, Stuart Gulliver, a obra que mais se destacou em 2012 entre suas leituras foi “Stalingrad” de Antony Beevor. A história fala sobre a ruína na qual chegaram soldados alemães e russos passando fome e congelando com o frio intenso da região que dá nome ao livro. Mas Beevor mostra algumas exceções em meio a tanta crueldade, através de personagens que mesmo sofrendo com essa situação encontraram coragem e compaixão para ajudar ao próximo.


A mensagem desse livro é simples: quanto maior a complexidade mundial, mais simples devem ser os princípios e mandamentos para atravessar esse cenário nebuloso. Essa é a ideia do livro “The checklist manifesto: how to get things right” de Atul Gawande sugerida pelo diretor executivo para estabilidade financeira do Bank of England, Andrew Haldane. De acordo com o especialista, a obra traz importantes mensagens para os profissionais que estruturam políticas a fim de evitar catástrofes na instituição na qual atuam.


Em “Bull by the horns: fighting to save main street from wall street and wall street from itself” a autora Sheila Bair leva o leitor às salas de decisões que tentavam combater a crise financeira de 2008 e as tentativas de solucioná-la em 2009 e 2010, de forma bastante detalhada e crível, segundo o professor do MIT (Massachussets Institute of Technolohy) e colunista da Bloomberg, Simon Johnson.


Para o diretor geral do World Trade Organization, Pascal Lamy, o livro “Entrer dans une pensee: ou des possibles de l’espirit” de François Jullien se aprofunda na intrincada cultura chinesa, mostrando como são tratadas questões como o bom e o mau, o início e o fim e o diferente e como os parâmetros utilizados para mensurá-las são completamente diferentes dos ocidentais.


A obra “Human action: a treatise on economics” de Ludwig von Mises mostra como a escola econômica austríaca poderia ter ensinado grandes lições antes da crise financeira pela qual passamos em 2008, de acordo com o consultor sênior do Deutsche Bank, Thomas Mayer. Na visão desta economia, a crise foi causada por políticas econômicas construtivistas que forçaram uma taxa de juros abaixo dos níveis naturais e incentivou um endividamento excessivo. E a resposta foi uma maior intervenção dos governos, o que não deveria ter acontecido, na visão da escola austríaca.


Retratando a escola de economia austríaca mais uma vez, só que em confronto com as ideias keynesianas, o livro “Keynes Hayek: the clash that defined modern economics” de Nicholas Wapshott mostra a batalha ideológica entre as duas escolas ao tentar encontrar uma solução para a grande depressão da década de 30. Para o chefe de investimento do Guggenheim Partners LLC, Scott Minerd, é interessante ler o livro para rever as teorias dessas duas linhas de pensamento, já que estamos passando por um período de baixo crescimento e mal-estar financeiro.


A obra “The Party: the secret world of China’s communist ruler”, de Richard McGregor, foi a escolha do CEO do Morgan Stanley, James Gorman. O livro retrata como funciona o Partido Comunista Chinês e sua liderança, que é alternada a cada 10 anos. Gorman afirma que o livro é um pouco longo, mas que vale a pena pelas explicações sobre o partido e os processos que ocorrem nele.


Já para o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, “Thinking, fast and slow”, de Daniel Kanheman, foi sua melhor leitura em 2012, pois o livro é um complemento importante para entender a economia comportamental.


“Berlin Diary: the jornal of a foreign correspondent, 1934-1941” de William L. Shirer foi a escolha do ex-secretário do Tesouro dos EUA, ex-presidente do grupo Citibank e co-presidente do Conselho de Relações Exteriores, Robert Rubin. A obra retrata a época em que o autor do livro e Edward Murrow eram radialistas e o nazismo chegava ao poder. A obra fala sobre como o movimento de Hitler tomou conta de um país e como as pessoas se relacionavam com o ditador.


O também ex-secretário do Tesouro dos EUA e ex-diretor do Conselho Econômico Nacional, Lawrence Summers, recomenda a obra “The better angels o four nature: why violence has declined” do autor Steven Pinker. O livro retrata de maneira profunda o otimismo em relação à melhoria na condição humana.


Uma das obras mais populares foi indicada pelo presidente e fundador do Grupo Eurasia, Ian Bremmer. “Why Nations Fail: the origins of power, prosperity and poverty” de Daron Acemoglu e James A. Robinson é um diagnóstico do que pode levar uma nação ao crescimento, ou à falta dele, feito através de comparações entre arquiteturas políticas e econômicas de diversos países, mostrando que estes são fatores essenciais no desempenho de uma nação.


Já “Lords of finance: the bankers who broke the world” do autor Liaquat Ahamed foi sugerido pelo subsecretário de relações internacionais do Departamento do Tesouro dos EUA, Lael Brainard. A obra mostra como grandes banqueiros conseguiram levar milhares de famílias a falência através de políticas ilícitas.


Esclarecendo o que tem acontecido no continente Europeu, o livro “Europe: the shattering of illusion’s” do presidente tcheco Vaclav Klaus mostra como o caminho que está sendo tomado é errôneo e não vai resolver a situação. A sugestão é do co-chefe executivo e co-fundador do Saxo Bank A/S, Lars Christensen.


E seguindo na linha de outras nações, “China’s airbone” de James Fallows retrata, primeiramente, a aviação chinesa, mas questões muito mais profundas permeiam a obra, como a organização industrial e a seriedade no tratamento da economia. De acordo com o professor de economia da Universidade George Mason, Tyler Cowen, este é um livro de leitura fácil e divertida.


Para o ex-chanceler do tesouro da Inglaterra, Alistair Darling, a obra que mais lhe chamou a atenção no ano passado foi o livro do autor Ray Perman, “Hubris: how HBOS wrecked the best bank in Britain”. Perman traça o processo que levou o Banco da Escócia a sua queda, com sua ascensão em 1980 e com o início de sua falência após a fusão com o Halifax. Além disso, o livro mostra a mudança cultural da instituição ao sair da posição de “guardião” do dinheiro de seus clientes para vendedor de serviços.


Já a indicação do professor de economia e ciência política da Universidade Berkeley da Califórnia, Barry Eichengreen é a obra “The passage of power” de Robert Caro, que narra uma presidência caracterizada por uma economia conturbada, um Congresso polarizado e um imbróglio militar.

Fonte:Infomoney