Título da Petrobras perde da Ecopetrol com custos de exploração
A Petróleo Brasileiro SA está seguindo um caminho diferente da estatal colombiana Ecopetrol SA no mercado de renda fixa. Os gastos recordes com exploração e o aumento da produção abaixo da meta estão elevando os custos de captação da empresa brasileira.
Os títulos em dólar da Petrobras com vencimento em 2019 rendem 2 pontos-base a mais do que os papéis com prazo similar da Ecopetrol, que tem uma nota de crédito mais baixa. Em 12 de janeiro, a taxa da petrolífera brasileira era 39 pontos-base inferior à da Ecopetrol, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Enquanto a Petrobras tenta captar US$ 91 bilhões até 2015 para custear o maior programa de investimento do setor petrolífero mundial, a Ecopetrol está financiando a maior parte de sua expansão com recursos do caixa. A Petrobras, maior produtora de petróleo da América Latina, captou US$ 15,3 bilhões em títulos no mercado internacional desde 2009. A Ecopetrol, com sede em Bogotá, levantou US$ 1,5 bilhão no mesmo período.
A produção de petróleo da estatal brasileira vai ficar na faixa inferior da meta para este ano devido a paradas em plataformas e atrasos nas entregas de sondas de perfuração.
“O spread da Petrobras em relação à Ecopetrol está em uma trajetória de deterioração”, disse Michael Roche, estrategista de mercados emergentes da MF Global, em entrevista por telefone de Nova York. “Eles são um produtor com custos marginais mais altos e têm um programa de gastos de capital maior.”
O rendimento dos títulos da Petrobras caiu 32 pontos-base, ou 0,32 ponto percentual, este ano para 4,79 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O rendimento dos bônus da Ecopetrol desabou 60 pontos-base no período para 4,77 por cento, também de acordo com dados da Bloomberg.
A Petrobras está “bastante confortável” com suas necessidades de financiamento e ainda planeja mais que dobrar a produção até 2010, segundo resposta enviada por e-mail pela empresa. A Ecopetrol não retornou telefonemas e e-mails solicitando comentários para esta reportagem.
Fonte: Exame
