Temor com Europa abate negócios; Ibovespa recua
O último pregão de outubro é marcado pela tendência negativa nos principais mercados de capitais. Investidores aguardam esclarecimentos sobre o plano europeu de saída da crise.
Com alta acumulada de 7,71% até sexta-feira (28/10), o principal índice acionário da BM&FBovespa enfrenta um pregão de baixa nesta segunda-feira (31/10).
Com alta acumulada de 7,71% até sexta-feira (28/10), o principal índice acionário da BM&FBovespa enfrenta um pregão de baixa nesta segunda-feira (31/10).
Há pouco, Ibovespa recuava 1,57%, aos 58.576 pontos. O volume negociado rondava os R$ 2,676 bilhões.
O movimento recebia pressão adicional dos papéis preferenciais de Vale (-2,50%) e Petrobras (-0,83%), que operavam em queda por conta da desvalorização das commodities no mercado internacional.
Os contratos futuros do cobre, por exemplo, recuavam 2,52%, cotados a US$ 361,25.
"As commodities recuam com a notícia de que a China vai manter restrições ao mercado imobiliário, o que penaliza o Ibovespa indiretamente", explicou Luis Gustavo Pereira, analista Um Investimentos.
Destaques
Entre as ações que compõem o Ibovespa, as preferenciais da Klabin (KLBN4) lideravam os ganhos, com alta de 2,09%, aos R$ 6,36.
Segundo Leonardo Alves, analista do setor de papel e celulose, mesmo com o prejuízo de R$ 243 milhões no terceiro trimestre, o resultado ficou acima do esperado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 277 milhões, o maior desde o terceiro trimestre de 2004.
Além disso, "a exposição ao mercado interno brasileiro blinda a companhia de oscilações mais fortes em preços e volumes", considerou Alves.
Na outra ponta, os papéis das principais construtoras e incorporadoras apresentavam as maiores baixas.
As ações de PDG Realty (PDGR3), MRV (MRVE3), Rossi Residencial (RSID3) e Cyrela (CYRE3) perdiam 4,99%, 4,97%, 4,17% e 3,80%, nesta ordem.
Para Pereira, analista da Um Investimentos, o aumento do nível de inadimplência compromete essas ações, fortemente dependentes de financiamento.
Câmbio
No mercado de câmbio, o dólar operava em alta de 0,55% em relação ao real, cotado a R$ 1,6923 na compra e R$ 1,6937 na venda.
Cena externa
No cenário global, os investidores aguardam explicações dos líderes europeus sobre as fontes de financiamento do pacote de saída da crise.
De acordo com Pereira, os mercados passam por uma realização de lucros, em relação às altas verificadas na semana passada, e por "falta de clarezas em alguns pontos do pacote da Europa".
Na última quinta-feira (27/10), os chefes de Estados da Europa decidiram pelo perdão de 50% da dívida da Grécia, elevação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) para € 1 trilhão e aumento dos fundos de capital próprio dos bancos para 9% do total de seus ativos até 30 de junho de 2012.
Durante a reunião do G20, que ocorre nos dias 3 e 4 de novembro, serão tratadas, justamente, as medidas de combate à crise da dívida na Europa e, especialmente, a origem dos recursos para tal.
"Os investidores querem saber detalhes do fundo de resgate, como seria o financiamento dos recursos. Especula-se que haja participação chinesa", disse Pereira.
Com isso, o Standard & Poor's 500 depreciava 1,32%, para 1.268,16 pontos. O índice Nasdaq, termômetro de tecnologia, recuava 1,05%, para 2.708,41 pontos. E a referência da Bolsa de Nova York, o Dow Jones, caía 1,21%, aos 12.082,70 pontos.
Adicionava instabilidade aos negócios o pedido de concordata da MF Global Holdings nos Estados Unidos, após a empresa fazer apostas com títulos soberanos da Europa.
Fonte: Brasil Econômico
