Antes de cúpula europeia, bolsas descolam tendência

A proximidade da reunião dos líderes europeus traz instabilidade aos mercados de capitais. Em Bruxelas, os ministros das Finanças da Europa discutirão estratégias para sair da crise.

A fragilidade das contas públicas de países europeus volta ao radar e provoca descolamento de tendência nas principais bolsas mundiais.

Ao contrário do viés negativo observado nas bolsas europeias, os índices futuros de Wall Street operavam com leve valorização.

O aumento da capacidade do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), a recapitalização dos bancos e a ajuda à Grécia são alguns dos assuntos que serão tratados pela cúpula de líderes da União Europeia neste domingo (23/10).

Com tratativas entre Alemanha e França em andamento sobre o fundo de resgate, mas sem uma definição, os investidores adotam uma postura mais cautelosa na Europa.

Em Frankfurt, o índice DAX, caía 0,38%, para 5.891,25 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 depreciava 0,50%, a 3.141,51 pontos. E, em Londres, o índice FTSE 100 perdia 0,40%, a 5.428,51 pontos.

Em meio a manifestações e greve, o parlamento grego aprovou na noite de quarta-feira (19/10) o projeto inicial de lei sobre as novas medidas de austeridade.

Dentre os indicadores econômicos do continente, foi revelado que as vendas no varejo do Reino Unido tiveram avanço de 0,6% em setembro, enquanto o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha subiu 0,3% no mesmo mês.

Os mercados asiáticos encerraram o dia no vermelho, diante de preocupação de que a crise europeia leve a uma recessão mundial. As bolsas de Tóquio e Xangai caíram 1,03% e 1,94%, nesta ordem.

Após um pregão em baixa, os índices futuros de Wall Street operam com leve alta na manhã desta quinta-feira (20/10). Os índices futuros do Dow Jones e do S&P 500 subiam 0,45% e 0,52%, respectivamente.

Por lá, os investidores acompanham dados do mercado de trabalho, do setor imobiliário e de atividade econômica.

Analistas da consultoria Briefing esperam que os pedidos de auxílio-desemprego tenham recuado em 1 mil na última semana.

Quanto às vendas de casas usadas, a expectativa é de queda de 2,2% para o mês de setembro.

No entanto, a projeção é de melhora para o índice de atividade industrial na região da Filadélfia, com o indicador passando de -17,5 pontos para -8,8 pontos em outubro.

E os indicadores antecedentes devem apresentar aumento de 0,3% em setembro, mesma variação observada no mês anterior.

Internamente, o destaque fica por conta da repercussão da decisão dos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que optaram por cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, derrubando-a para 11,50% ao ano.

Para tomar tal decisão, o Copom levou em consideração a situação mais restritiva do ambiente global.

Hoje, os agentes monitoram os dados de inflação, que mostraram arrefecimento. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) desacelerou para 0,50% na segunda prévia de outubro, frente a 0,52% no mesmo período do mês anterior, puxado pelos preços no varejo.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) subiu 0,42% em outubro, abaixo do registrado em setembro, quando a taxa atingiu 0,53%.

Na véspera, a bolsa brasileira fechou em leve baixa (-0,12%), aos 54.966 pontos.


Fonte: Brasil Econômico