Radar: acompanhe algumas das principais oscilações na bolsa nesta terça-feira


SÃO PAULO – Após a explosão no quarto reator da usina nuclear de Fukushima e alerta de que radioatividade foi liberada para a atmosfera, a aversão ao risco tomou conta do sentimento do mercado e o principal índice da Bolsa de Tóquio recuou mais de 10% nesta terça-feira (15). Com esse clima, o Ibovespa acompanha os mercados internacionais e opera em queda de 0,6%, abaixo dos 67 mil pontos.


Em meio a este clima de destruição e incertezas, o BoJ (Bank of Japan), que na véspera já havia atuado no sistema financeiro para garantir a liquidez do mercado acionário no curto prazo, injetou ¥ 20 trilhões, ou US$ 245 bilhões, no mercado japonês, numa tentativa de acalmar os investidores. A medida foi projetada para assegurar aos bancos liquidez suficiente para atender a demanda das empresas e famílias que buscam levantar recursos após a catástrofe.


Além disso, o dia contará com a reunião do Federal Reserve no período da tarde, na qual espera-se que os membros mantenham a taxa básica de juros entre 0% e 0,25% ao ano, sem grandes alterações na liguagem empregada. Ainda nos Estados Unidos, o indicador da atividade industrial na região de Nova York avançou em março ao registrar 17,5 pontos positivos, superando assim as expectativas do mercado. 


No Brasil, o Ministério do Trabalho divulgou o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de fevereiro de 2011, quando foram criados 280,8 mil postos formais de trabalho, bem acima do recorde anterior para o mês, referente a 2010, que era de 209,4 mil vagas.


Vale

Depois de reunião com Roger Agnelli, presidente da Vale (VALE3VALE5), e Miguel Nery, diretor do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que a mineradora está disposta a pagar sua dívida dos royalties pela exploração de minério de ferro.


Os diretores jurídicos se reunirão na próxima semana para entrar em um acordo, segundo o ministro. Os dados do DNPM apontam que a empresa tem uma dívida de R$ 5 bilhões, sendo R$ 4 bilhões referentes à exploração de minério em Minas Gerais e R$ 1 bilhão no Pará, afirmou Lobão.


Os papéis preferenciais e ordinários da Vale são destaque de queda novamente, com desvalorização de 2,36% e 2,47%, respectivamente, cotados a R$ 45,54 e R$ 51,69. Já os papéis da Bradespar, que faz parte do bloco controlador da Vale, mostram baixa de 3,06%, a R$ 39,97. Além da multa, pesa também sobre as ações o desastre que abalou o Japão, com perspectiva de que a demanda por minério deve ser afetada no curto prazo. 


MMX

A MMX (MMXM3), por sua vez, anunciou na véspera que a empresa independente SRK certificou em relatório a existência de 1,5 bilhão de toneladas de recurso de minério de ferro auditados. “Os projetos de mineração da MMX estão suportados por uma ampla base de recursos minerais, mais do que suficiente para alcançarmos nossa meta de 46 milhões de toneladas por ano, das quais 60% já estão vendidas para clientes na Ásia", afirmou a empresa.


"Com a aquisição do Superporto Sudeste integrado ao sistema MMX, a companhia está completamente preparada para executar sua estratégia de crescimento com seu portfólio de projetos e fusões e aquisições”, completou o presidente da companhia, Roger Downey. As ações da empresa descolam-se do sentimento negativo no setor e operam com leve baixa de 0,31%, para R$ 9,57. 


Usiminas

Após afirmar à BM&F Bovespa que desconhece razões para justificar as recentes oscilações com suas ações, a Usiminas (
USIM3,USIM5) ocupa a ponta vendedora do pregão nesta terça. As ações ordinárias da companhia são negociadas com queda de 4,34%, para R$ 30,18, enquanto os papéis preferenciais classe A recuam 2,60%, para R$ 20,96. Os ativos são influenciados também pela forte aversão ao risco desencadeada pelos eventos no Japão, com percepção de que os preços das commodities devem sofrer no curto prazo, além de sofrerem com uma realização de lucros após a disparada recente.


Embraer

A Embraer (
EMBR3) anunciou a aquisição da divisão de radares da Orbisat da Amazônia, em um negócio avaliado em R$ 28,5 milhões. Com isso, a empresa expande sua área de defesa e realiza sua primeira aquisição desde que criou a subsidiária Embraer Defesa e Segurança.


Com esse movimento, a companhia pretende diversificar seu portfólio de produtos militares de segurança. Suas vendas de equipamento de defesa, sobretudo de aviões, corresponderam a cerca de R$ 1,2 bilhão das operações da companhia no ano passado. Os papéis da companhia são negociados com leve valorização de 0,07%, para R$ 13,56. 


Bradesco e Banco do Brasil

Ainda no intenso cenário corporativo do pregão, o Bradesco (
BBDC4) comunicou ao mercado a assinatura de um novo memorando de entendimentos com o Banco do Brasil (BBAS3) referente ao lançamento da bandeira de cartões de crédito Elo.


Segundo o comunicado, a Elo Participações, holding que será constituída para o lançamento da nova bandeira, terá participação de 50,01% do Bradesco e de 49,99% do Banco do Brasil. Ambos os bancos negociam com a Caixa Econômica Federal para integrá-la ao lançamento.


As ações do Bradesco resistem ao movimento vendedor que domina o pregão e avançam 0,2%, para R$ 30,75. Enquanto isso os papéis do Banco do Brasil caem 0,56%, negociados a R$ 28,34. 


GOL

Já a GOL (GOLL4) anunciou uma elevação de 4,5% da demanda na malha aérea total da empresa no mês de fevereiro – em comparação com o mesmo mês de 2010 -, com uma taxa de ocupação de 71,2%, 0,5 ponto percentual maior que fevereiro de 2010, ao passo que a oferta cresceu 3,8%.

Por mais um mês consecutivo, a GOL executou sua estratégia de adição de capacidade responsável no mercado, com crescimento de 3,8% na oferta e 4,5% na demanda. O objetivo é aumentar a oferta por meio do aumento de produtividade, sem a necessidade de adicionar mais aeronaves no mercado. Desta forma, a companhia maximiza a utilização de seus ativos e, portanto, sua rentabilidade”, escreveu em comunicado ao mercado. 


Os dados impulsionam positivamente as ações, que operam em alta de 2,26%, para R$ 21,68, influenciadas também pela desvalorização do petróleo em Nova York, que opera abaixo dos US$ 98 por barril. 


Galp

Já a petrolífera portuguesa Galp descartou na última segunda-feira a venda de ativos brasileiros. Ao invés disso, a companhia revelou que pretende abrir o capital da subsidiária brasileira Petrogal no segundo semestre deste ano, em processo no qual pretende captar R$ 2 bilhões para financiar os investimentos nos próximos cinco anos.


Multiplan

Passando para a temporada de resultados, a Multiplan (MULT3) apresentou os números referentes ao último trimestre de 2010, no qual registrou um lucro líquido de R$ 72,34 milhões, um crescimento de 131,6% sobre os mesmos meses de 2009. Já o Ebitda (geração operacional de caixa) cresceu 17,5%, aos R$ 110,97 milhões, e a receita líquida, 12,8%, com R$ 178,38 milhões.


Em mensagem do presidente da empresa na divulgação dos resultados, o tom foi de otimismo. “Diante de um cenário favorecido pela sólida atividade econômica, a Multiplan fechou 2010 com importante número de empreendimentos em desenvolvimento, e vive um momento único na sua existência”, escreveu. Os papéis, no entanto, recuam 1,86%, para R$ 34,35. 


OdontoPrev

No caso da OdontoPrev (
ODPV3), o lucro líquido cresceu 216,3% no último trimestre de 2010, na comparação com o mesmo período de 2009, para R$ 45,7 milhões. A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 186,8 milhões no quarto trimestre do ano, alta de 84,6% na mesma base de comparação.


Otimista, o diretor de Relações com Investidores José Roberto Pacheco afirmou em nota que "o ano de 2010 foi para o OdontoPrev um ano histórico. Na realidade, o primeiro de um novo ciclo de crescimento sustentado, acima do ritmo de nossos principais concorrentes, em que buscamos também mais eficiência no controle de sinistralidade e despesas, portanto de maior margem na geração de caixa". As ações da companhia recuam 0,6%, cotadas a R$ 23,31.


Helbor

Por fim, a Helbor (
HBOR3) anunciou que as vendas contratadas totais chegaram a R$ 2 bilhões em 2010, enquanto o lucro líquido durante o ano passado cresceu 131% em comparação com 2009, totalizando R$ 182 milhões. Para 2011, de acordo com comunicado da empresa, as expectativas também são de crescimento. No final de 2010, a Helbor dispunha de um banco de terrenos de R$ 4,6 bilhões, um avanço de 86,8% comparado com 2009. As ações são negociadas com vaixa de 0,54%, cotadas a R$ 18,50.


Tecnisa

Por sua vez, a Tecnisa (TCSA3) revelou na última segunda-feira que estima lançar R$ 5,0 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas) no acumulado dos anos de 2011 e de 2012. Para este ano, a estimativa é de R$ 2,2 bilhões. Ainda assim, os papéis da empresa operam em queda de 0,62%, para R$ 9,59.

Copasa

Após a análise do resultado preliminar de 2010, a Copasa (CSMG3) informou ao mercado a alteração na distribuição dos dividendos referentes ao exercício de 2010 e promoveu alterações na PL (Participação nos Lucros). Assim, o Conselho de Administração da companhia retificou a distribuição de dividendos para 35% do lucro líquido, com o objetivo de neutralizar quaisquer efeitos sobre seu caixa, enquanto o pagamento da PL passou para 17,8% dos dividendos mínimos obrigatórios, a fim de deixar acionistas e empregados em igualdade. Os papéis da companhia operam com forte queda de 2,62%, cotados a R$ 27,51. 


Hypermarcas

Por fim, a Hypermarcas (HYPE3) irá reajustar os preços dos produtos no final deste mês, sendo que o valor médio sofrerá uma alta média de 4,57%, revelou o diretor-presidente da companhia em conferência na última segunda-feira. O anúncio acontece conforme a resolução do Diário Oficial da União, o qual permitiu o reajuste dos preços de medicamentos na faixa de 3,54% a 6,01%. As ações da empresa apresentam queda de 0,33%, negociadas a R$ 18,34.


Fonte: InfoMoney