Ibovespa acelera movimento negativo e se aproxima dos 65 mil pontos


SÃO PAULO - Os vendedores não dão tréguas às bolsas nesta quinta-feira. O mercado acionário brasileiro acompanha o movimento negativo das praças americanas, em um dia de análise de dados da balança comercial chinesa e de pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos.

Na Espanha, a Moody's reduziu a nota de crédito do país e o Banco Central ainda anunciou que, para respeitar as novas exigências de capital, 12 bancos espanhóis precisam levantar um total de 15,152 bilhões de euros (cerca de US$ 21,075 bilhões).

Os conflitos na Líbia também não saem do foco dos investidores. A Standard & Poor's (S&P) cortou hoje as notas atribuídas à divida soberana do país e suspendeu sua avaliação, alegando falta de informações políticas e econômicas confiáveis. A suspensão também foi relacionada às sanções da comunidade internacional ao país.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, afirmou nesta quinta-feira que a aliança militar está pronta para agir na Líbia, se for preciso. 
E a União Europeia informou que vai estender seu embargo à Líbia, de forma a incluir mais cinco entidades. As sanções devem atingir o banco central do país e um fundo soberano.

Nas bolsas, há uma fuga dos agentes, de olho em ativos considerados mais seguros, como a moeda americana. No Brasil, próximo das 17h10, o Ibovespa cedia 1,70%, para 66.119 pontos, com volume negociado de R$ 6,1 bilhões. 
Dentre as chamadas "blue chips", Vale PNA cedia 2,85%, a R$ 46,27, Petrobars PN perdia 1,68%, a R$ 28,07, e OGX Petróleo tinha desvalorização ainda maior, de 4,70%, com os papéis negociados a R$ 19,06.

Também entre as ações de empresas ligadas a commodities, Usiminas PNA cedia 3,58%, a R$ 19,91, e Fibria ON recuava 3,64%, a R$ 23,25.

No setor financeiro, destaque para Bradesco PN (-3,21%, a R$ 30,37), Banco do Brasil ON (-3,46%, a R$ 27,85) e Itaú Unibanco PN (-3,67%, a R$ 34,88).

No sentido contrário, apesar dos temores apontados por analistas de mercado em relação à adoção de novas medidas restritivas pelo Banco Central (BC), ações de companhias ligadas ao cenário doméstico estão entre as maiores altas do Ibovespa. Há pouco, Rossi ON subia 3,66%, a R$ 13,29, MRV ON ganhava 2,72%, a R$ 13,21, e B2W ON tinha ganho de 2,23%, a R$ 25,66.

"Os dados da balança comercial chinesa trazem uma nuvem sobre o mercado de commodities, já que o país é um parceiro importante de vários países. A China está em meio a uma desaceleração econômica, com pressão inflacionária, com um governo que manipula o câmbio e num processo de ajuste de juros. Os dados desanimaram bastante os mercados, o que acabou provocando a queda do petróleo", diz a analista-chefe da Spinelli Corretora, Kelly Trentin.

Em Wall Street, a trajetória também segue de baixa. Há instantes, o índice Dow Jones perdia 1,69%, o S&P 500 cedia 1,67% e o Nasdaq recuava 1,79%. 

Fonte: Valor Online