Aversão ao risco generalizada pesa sobre a bolsa brasileira
Indicadores abaixo do esperado na China e nos EUA somados ao corte da nota de crédito da Espanha e aos conflitos geopolíticos na Líbia pesam sobre os mercados nesta quinta-feira (10/3).
Na Líbia, os partidários do ditador Muammar Kadafi aumentaram os bombardeios à cidade petrolífera Ras Lanuf.
Entretanto, o contrato de petróleo com vencimento em abril caía 1,42% em Londres, para a faixa de US$ 113 o barril. Na Bolsa de Nova York, a queda era de 2,28%, a US$ 102,00 o barril.
"O petróleo está se ajustando por conta do déficit comercial na China acima do esperado. Mas, se os conflitos tomarem maiores proporções, este cenário pode ser invertido", ponderou Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora.
A China registrou seu primeiro déficit comercial desde março de 2010 e surpreendeu os analistas.
O saldo da balança comercial do país ficou negativo em US$ 7,3 bilhões em fevereiro, refletindo o feriado do Ano Novo Lunar que, com duração de uma semana, teria prejudicado as exportações.
Segundo Galdi, já era esperado que o feriado impactasse a balança comercial chinesa, porém não nessa magnitude. "Isso derruba as commodities em geral", disse.
Na Europa, o tom pessimista parte do corte de rating da Espanha. A Moody's reduziu a nota de crédito do país em um nível, de "Aa1" para "Aa2", devido às incertezas sobre o custo de reestruturação dos bancos.
Por sua vez, a agenda econômica dos Estados Unidos também decepcionou os investidores.
O déficit na balança comercial americana aumentou no mês de janeiro, para US$ 46,3 bilhões, frente à previsão dos analistas de saldo negativo de US$ 41,5 bilhões.
No mesmo sentido, o número de novos pedidos de auxílio-desemprego avançou em 26 mil na última semana, para 397 mil solicitações, ficando pior que o estimado (382 mil novos pedidos).
Consequentemente, o Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, caía 1,64%, aos 12.012,42 pontos. O índice Standard & Poor's 500 recuava 1,56%, para 1.299,41 pontos. E o índice Nasdaq, termômetro de tecnologia, perdia 1,76%, para 2.703,18 pontos.
Cena doméstica
Por aqui, a bolsa brasileira também opera no vermelho. Nesta tarde, o Ibovespa recuava 1,13%, aos 66.497 pontos. O giro financeiro rondava os R$ 2,348 bilhões.
Dentre as blue chips, as ações preferenciais da Vale (VALE5) e da Petrobras (PETR4) depreciavam 2,72% e 1,40%, respectivamente.
Pesam sobre os ativos da mineradora brasileira os dados da balança comercial da China.
Destaques
Entre as ações que compõem o índice, as ordinárias da MRV (MRVE3) lideravam os ganhos, com alta de 2,41%, cotadas a R$ 13,17.
Na outra ponta, a maior queda do dia era das ações da Bradespar (BRAP4) - holding que detêm participações na Vale -, que depreciavam 2,88%, cotadas a R$ 40,50.
Nas outras colocações, configuravam papéis do setor financeiro. Os ativos do Santander (SANB11), Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú Unibanco (ITUB4) recuavam 2,75%, 2,67% e 2,62%, nesta ordem.
"Não vejo nada especial, mas rumores de novas medidas do governo para conter a queda do dólar podem ser o motivo", disse Galdi.
Câmbio
No mercado de câmbio, o dólar apresentava alta de 0,36% em relação ao real, cotado a R$ 1,6610 na compra e R$ 1,6630 na venda.
Fonte: Brasil Econômico