Agência rebaixa nota da Hungria e adverte sobre nova baixa possível

A agência de classificação de risco financeiro Moody's rebaixou nesta segunda-feira em dois níveis a nota soberana da Hungria, de "Baa1" para "Baa3", em consequência dos crescentes temores sobre a situação fiscal do país a médio e longo prazo. 


Em um comunicado, a Moody's adverte que a nota pode voltar a ser rebaixada se o governo húngaro não conseguir estabilizar a situação financeira.

O rebaixamento da nota soberana da Hungria foi provocada pela "perda gradual, mas significativa, da solidez financeira do país, enquanto a estratégia do governo se baseia essencialmente em medidas temporárias e não em medidas de consolidação fiscal duradoura", explica o comunicado da agência. 

A Hungria evitou o "default" há dois anos graças a um empréstimo de 20 bilhões de euros (US$ 26,76 bilhões) do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da UE (União Europeia). 

CRISE
 
Em junho, declarações de políticos da Hungria causaram preocupação no mercado com a possibilidade de o país passar por uma crise semelhante à que atingiu a Grécia. Há rumores de que o país pode declarar a moratória (promessa de um Estado de que não honrará o pagamento de dívidas no prazo esperado pelos credores), o que o governo nega. 

O vice-presidente do partido de situação Fidesz, Lajos Kosa, declarou no dia 5 de junho isse que o novo governo, que tomou posse no fim de maio, encontrou as finanças públicas em situação pior que a esperada e que havia uma chance pequena de evitar um cenário igual ao grego. Peter Szijjarto, porta-voz do primeiro-ministro Viktor Orban, confirmou que o governo vê problemas na situação fiscal do país. 

Szijjarto também disse que o governo anterior falsificou dados econômicos.
A Hungria faz parte da União Europeia, mas, diferentemente da Grécia, não integra a zona do euro. 

O novo governo de centro-direita vem afirmando nas últimas semanas que o deficit de 2010 poderá ser muito superior à meta acordada de 3,8% do PIB, culpando "esqueletos fiscais" deixados pelo governo anterior. 

Segundo o banco central do país o deficit deverá ficar em 4,5% do PIB neste ano. 

O país, que foi fortemente afetado pela crise de 2008, enfrenta sérios problemas fiscais. O FMI e a UE afirmaram em julho que a Hungria, cuja economia se contraiu 6,3% em 2009, precisa tomar "decisões duras" para reduzir seu deficit fiscal. 

Fonte: Folha.com

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