Portugal afasta hipótese sobre necessidade de ajuda financeira
Diante do anúncio do pacote de socorro à Irlanda, Portugal afirmou que
não quer se tornar o próximo país europeu a requisitar ajuda
financeira. O país destacou que o sistema bancário é sólido e que as
medidas de austeridade prevalecerão em face ao elevado deficit.
O endividamento de Portugal coloca o país na posição de maior
fragilidade na zona do euro depois da Grécia e da Irlanda. Com o
socorro à Irlanda, analistas acreditam que o foco se volte a Portugal.
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, saudou o
pacote de ajuda à Irlanda e avaliou que irá contribuir com a
estabilização na zona do euro. Ele aproveitou o anúncio do pacote para
reforçar que a contenção dos gastos e reformas trabalhistas no país
irão garantir redução do endividamento e o crescimento do país.
"Mais uma vez se pode ver que a zona do euro tem mecanismos
apropriados para garantir a estabilidade financeira do bloco.", afirmou
em comunicado.
O deficit orçamentário de Portugal fechou 2009 em 9,3% do PIB, o
quarto maior deficit na zona do euro. Santos disse que o governo se
esforça para reduzir esse percentual para 7,3% neste ano. Para 2011, a
previsão é que as medidas de austeridade permitam o país chegar a um
deficit de 4,6%.
IRLANDA
Os países integrantes da zona do euro concordaram ontem em conceder
ajuda financeira à Irlanda, que enfrenta severos problemas em suas
contas públicas.
Após semanas de relutância o país finalmente apresentou um pedido
formal aos organismos internacionais. A previsão é que o pacote fique
entre 80 e 90 bilhões de euros, abaixo do inicialmente estimado por
especialistas de mercado.
O ministro das Finanças irlandês, Brian Lenihan, afirmou que seu
país necessita de menos de 100 bilhões de euros para dar suporte ao seu
sistema bancário, às voltas com perdas de depósitos e com dificuldades
para captar recursos no mercado financeiro mundial.
A Irlanda ainda deve se comprometer com um programa severo de ajuste
das contas públicas para ter direito aos recursos do plano de socorro
financeiro. Fontes indicam que o plano irlandês, ainda em preparação,
deve trazer o deficit público da taxa recorde de 32% do PIB (Produto
Interno Bruto) para 3% num prazo de quatro anos.
A crise de 2008 derrubou os bancos irlandeses, levando à
nacionalização do Anglo Irish Bank, e forçando o governo a socorrer o
sistema bancário local com quantias estimadas entre 45 bilhões e 50
bilhões de euros (entre US$ 62 e quase US$ 70 bilhões) na ocasião.
Dois anos depois, no entanto, as dificuldades permaneciam, enquanto
o governo arcava com problemas nas contas públicas, o que levou o
mercado internacional a aumentar o nível de desconfiança sobre as
finanças do país.
Fonte: Folha.com
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