Mercados buscam deixar Irlanda para trás e resgatar viés positivo para a semana

SÃO PAULO - Com o pacote de ajuda à Irlanda já precificado, os investidores iniciam a última semana de novembro em busca de novas referências sobre os limites para a crise na Europa, bem como de sinais sobre a orientação econômica do novo governo brasileiro, em meio a temores sobre a inflação.

Já a agenda econômica da semana é voltada para os Estados Unidos, com destaque para a divulgação da revisão do PIB (Produto Interno Bruto) referente ao terceiro trimestre, além de dados sobre imóveis e a ata da última reunião do Fomc.

Com muita cautela, os investidores recebem a notícia de que a crise na Irlanda se encaminha - oficialmente - para um pacote de ajuda liderado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e o EFSF (Fundo Europeu para Estabilização Financeira), ainda sem tamanho definido. 

Com o pé atrás...

"Diminuiu o mau humor nos mercados globais com a incorporação nos preços dos ativos de uma política mais restritiva na China e da inevitabilidade de um resgate financeiro a Irlanda e Portugal", ressaltou Maurício Molan, da equipe de análise econômica do Santander.

Para Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, "os mercados acionários internacionais devem operar com um viés positivo ao longo da semana", mas o desenrolar da crise europeia e do processo de aperto monetário na China devem continuar no foco dos investidores.

Até mesmo pela possibilidade de migração da crise. Portugal ainda se vê sob pressão nos mercados de crédito. "Mesmo com Portugal, o foco deve retornar à economia [norte-]americana", destaca Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora. No entanto, ele acredita que o plano de ajuda à Irlanda "afasta a visão de que outros países como Grécia e Espanha estejam com problemas semelhantes".

Quem vai ser o peru?

Com uma semana encurtada nos EUA por conta do feriado do dia de ação de graças, que ocorre na próxima quinta-feira (25), os investidores mantêm a atenção voltada para o Federal Reserve e o temor sobre inflação no país. "Uma de nossas opções mais convictas é que isto se mostrará como outro falso alarme".

"Quem será o peru neste ano?", indagou com ironia a equipe econômica do banco Wells Fargo, em meio ao debate entre os estímulos quantitativos do Fed e a oposição do partido republicano, contrário ao aumento dos gastos públicos. Os próprios analistas dão as alternativas :"Ben Bernanke ou Sarah Palin".

Para os varejistas, a semana também traz expectativas para as companhias de varejo, uma vez que o dia seguinte após o feriado - conhecido por Black Friday - é considerado um divisor de águas para o segmento.

Também fica para trás o grosso da temporada de resultados corporativos. Segundo relatório do banco BMO, 76% das empresas listadas no S&P 500 bateram as expectativas em relação a lucros, enquanto 61% superaram as projeções sobre receitas. 

Meirelles fica?

Internamente, os investidores seguem avaliando as especulações sobre a composição da equipe econômica do próximo Governo. Espera-se que a presidente eleita Dilma Rousseff divulgue a lista nesta semana, confirmando a permanência de Guido Mantega no ministério da Fazenda. O comando do Banco Central, contudo, segue uma incógnita.

"Tudo indica que haverá uma tentativa de sinalizar um ajuste fiscal para o próximo ano. (...) O problema é a credibilidade", destacou Maurício Molan, que completou: "Na dúvida, o mercado incorpora um cenário de mais inflação e mais juros".

Fonte: InfoMoney

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