Bolsas europeias fecham em queda, frente a temores de crise de dívida em Portugal

SÃO PAULO – Os principais índices acionários europeus encerraram o pregão desta sexta-feira (26) no campo negativo, frente à escalada de temores que sugerem que Portugal e Espanha serão os próximos países da Zona do Euro a necessitar de um pacote de resgate. No front corporativo, as ações de commodities e bancos estiveram entre as maiores baixas da sessão

O índice CAC 40  da bolsa de Paris  apresentou desvalorização de 0,84% a 3.729 pontos, acumulando no ano forte baixa de 5,28%, enquanto o FTSE 100  da bolsa de Londres encerrou em baixa de 0,53%, atingindo 5.669 pontos e sua variação no ano acumula forte alta de 4,73%.

A Bolsa de Frankfurt, apresentou uma leve baixa de 0,45% , atingindo 6.849 pontos, acumulando forte valorização de 14,97% em 2010. Já o Euro Stoxx 50, índice calculado pela agência Dow Jones e que mede o desempenho das 50 principais ações da Europa Continental fechou em baixa de 0,98%, atingindo a 2.738 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 DAX 30 -0,45 6.849 +4,28 +14,97 
 FTSE 100 -0,53 5.669 +0,40 +4,73 
 CAC 40 -0,84 3.729 -2,28 -5,28 
 SMI -0,29 6.484 +0,07 -0,95 
 FTSE MIB -0,51 19.844 -6,62 -14,64 

Irlanda surpreende

Um dos destaques do dia foi a notícia de que em troca do socorro financeiro, os cinco maiores bancos da Irlanda serão total ou parcialmente nacionalizados, com participações governamentais que vão de 51% a 100%. A projeção foi feita por analistas da agência de classificação de risco Fitch e por autoridades do país.

Já socorrido com € 46 bilhões no auge da crise que estourou em 2008, o sistema financeiro da Irlanda deverá receber uma nova injeção de recursos, prevista em aproximadamente € 12 bilhões.

Portugal e Espanha na mira do mercado

Assim como em relação a Grécia e Irlanda, crescem os rumores de que o governo de Portugal pedirá ajuda ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira). A notícia foi prontamente negada pelo governo de Lisboa. Cabe dizer que, nesta sexta-feira, Portugal aprovou o orçamento de 2011, que traz pesados cortes de gastos e eleva os impostos do país. 

Segundo o jornal alemão Financial Times Deutschland, os países da Zona do Euro têm pressionado o governo português a solicitar um pacote de ajuda do EFSF, a fim de reduzir as pressões sobre a moeda. Os temores mantiveram os papéis da dívida portuguesa pressionados, dificultando ainda a captação de recursos junto ao mercado.


Destaques

Revivendo os temores de desestabilização do setor financeiro, as ações de bancos lideraram as perdas no continente. Destaque para os papéis do Barclays, com baixa de 3,19%, e do Lloyds, cuja queda atingiu 4,4% em Londres.

Os ativos de produtoras de commodities também sofreram pressão, em meio a temores de que a autoridade monetária chinesa intensifique suas medidas de restrição à expansão do crédito no país, buscando combater a inflação. Assim, papéis da Rio Tinto e da Anglo American caíram 2,12% e 2,71%, respectivamente.

Cenário externo

Preocupações geopolíticas também pesaram sobre os mercados. Três dias após o confronto entre as Coreias na ilha de Yeonpyeong, a Coreia do Sul disse ter ouvido novos disparos em ilhas do Mar Amarelo, o que indica um possível exercício militar das tropas norte-coreanas.

Mais cedo, a Coreia do Norte havia reiterado sua oposição à realização de manobras militares conjuntas entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, marcadas para o próximo domingo, dizendo que os exercícios levam a península "à beira da guerra".

Fonte: InfoMoney

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