ABERTURA:SEMANA FORTE DE DADOS COMEÇA COM EXTERIOR BUSCANDO DIREÇÃO


ABERTURA:SEMANA FORTE DE DADOS COMEÇA COM EXTERIOR BUSCANDO DIREÇÃO

São Paulo, 27 - A última semana de setembro marca não só o fim de mais um mês, mas também o fechamento do terceiro trimestre deste ano, com os últimos três meses de 2010 recebendo as boas-vindas já nesta sexta-feira. Portanto, os agentes têm alguns dias para embelezarem seus portfólios nesta reta final, mas a agenda econômica ao redor do mundo promete testar os nervos dos investidores. Aqui no Brasil, o ponto alto fica reservado para o Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, e, neste fim de semana, tem eleições gerais, com a definição de um novo comando para o País. Nos EUA, diante de um crescimento econômico quase imperceptível, os mercados irão avaliar os números finais do PIB no segundo trimestre, além de uma série de dados capazes de mensurar a atividade regional e a confiança dos consumidores norte-americanos.
Mas poucos analistas apostam que os novos indicadores irão alterar o retrato que se tem sobre a atual situação do país. Nesse sentido, os investidores podem ficar tentados a embolsar os ganhos recentes e dificultar o caminho para os mercados acionários em Wall Street cravarem uma quinta semana consecutiva de ganhos. Por enquanto, nesta manhã, os índices futuros de Nova York buscam se firmar no terreno positivo. Sem novidades no front econômico, o noticiário corporativo rouba a cena na Europa, com uma série de acordos de fusão ou aquisição movimentando os negócios e garantindo ganhos moderados às principais bolsas da região. Já o euro volta a ser assombrado pelo temor quanto à saúde financeira de bancos e à situação fiscal de alguns países da região, mas a moeda única segue negociada acima de US$ 1,34. O dólar permanece retraído ante o iene, com um eventual novo pacote de ajuda financeira a ser anunciado por Pequim deixando o mercado cambial inquieto. O sentimento geral nos negócios com moedas também foi afetado por mais um sinal de que Pequim não irá acatar as pressões de Washington para acelerar a valorização do yuan. A moeda chinesa registrou hoje o décimo dia seguido de apreciação. Diante da fraqueza do dólar, o ouro mantém a escalada rumo a novos picos históricos, contribuindo para o fôlego das demais commodities industriais. Aqui, começam a ser negociadas hoje na BM&FBovespa as novas ações da oferta da Petrobras.

Índices de atividade do Fed, ISM e revisão do PIB são destaques nos EUA - A agenda econômica dos EUA desta semana está carregada de indicadores relevantes. Vários distritos do Federal Reserve divulgam índices regionais de atividade, com destaque, já nesta segunda-feira, para os números em Chicago (9h30), em Dallas (11h30) e ainda no Meio-Oeste (13h). Amanhã, é a vez do Fed de Richmond e, na quinta-feira, do Fed de Kansas City. Também nesta terça-feira, o Conference Board publica a confiança do consumidor em setembro. Na quinta-feira, sai a segunda (e definitiva) revisão do PIB norte-americano no segundo trimestre deste ano, além do índice ISM do gerente de compras em Chicago. No dia seguinte, o ISM anuncia o índice do setor manufatureiro em setembro e, no mesmo dia, será divulgado o índice final de confiança em setembro, medido pela Universidade de Michigan.

Relatório trimestral de inflação e produção industrial de agosto são destaques na semana no Brasil - O Banco Central tem até o dia 30 (quinta-feira) para apresentar o relatório trimestral de inflação, mas ainda não anunciou a data oficial da divulgação. Já a produção industrial brasileira no mês de agosto será divulgada pelo IBGE na sexta-feira (1º/10), mesma data em que a FGV anuncia o resultado final do IPC-S de setembro e que o MDIC divulga a balança comercial do mesmo mês. O IGP-M fechado de setembro será conhecido antes, na quarta-feira (29/9). Durante a semana, serão divulgados também o resultado primário do governo central em agosto (amanhã), o resultado primário do setor público consolidado (quarta-feira, 29) e os indicadores industriais de agosto da Fiesp. Hoje, o presidente do BC, Henrique Meirelles, fala a investidores em Londres, enquanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa de seminário em
São Paulo.

INCC-M sobe 0,20% em setembro, ante +0,22% em agosto - Até setembro, o INCC-M, que representa 10% do IGP-M, acumula altas de 6,40% no ano e de 6,94% em 12 meses. Os preços de materiais, equipamentos e serviços subiram 0,35% em setembro, sendo que, em agosto, a inflação deste segmento tinha sido mais intensa, de 0,38%. Os preços de mão de obra subiram 0,04% este mês, após registrarem alta de 0,06% em agosto.

Focus traz ajustes modestos para inflação - A projeção para o IPCA de 2011 caiu de 4,95% para 4,94%, enquanto a expectativa para o índice em 2010 teve alta de 5,01% para 5,05%. As medianas foram elevadas para o IPCA 12 meses à frente - de 5,12% para 5,15% - e também no Top 5 médio prazo - para 2010, subiu de 5,01% para 5,02%; para 2011, avançou de 4,97% para 5,01%. Chama a atenção a alta nas expectativas para os IGPs, tanto em relação a 2010, quanto para 2011. Nada mudou para a Selic. Mas o mercado engordou um pouco mais a sua previsão para o crescimento do PIB neste ano, que passou de 7,47% para 7,53%.

Veja abaixo mais informações sobre a agenda nacional e o comportamento do mercado internacional neste início do dia:

Mantega em seminário em SP - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa em São Paulo do seminário "O papel da indústria no crescimento do Brasil", a partir das 8h30 no Teatro do Sesi.

Meirelles reúne-se com investidores em Londres - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, participa, pela manhã, de reuniões com investidores em Londres; a partir das 12h30 (de Brasília), dá palestra para convidados do Banco do Brasil, com o tema "Perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos". À tarde, participa do Central Bank Meet City Investors.

Ipea apresenta índice de expectativas das famílias - O Ipea lança a segunda edição do Índice de Expectativa das Famílias (IEF), às 11h, na Caixa Econômica Federal, em São Paulo. O índice aborda a expectativa das famílias nos quesitos situação econômica nacional, condição financeira passada e futura, decisões de consumo, endividamento e condições de quitação de dívidas e contas atrasadas e mercado de trabalho, especialmente nos quesitos segurança na ocupação e sentimento futuro de melhora profissional. O presidente do Ipea, Marcio Pochmann, estará presente à coletiva.

Exterior inicia semana em busca de direção

Bolsas da Europa miram acordos corporativos - As principais bolsas europeias voltavam o foco dos negócios para uma série de notícias sobre fusão e aquisição anunciadas por algumas empresas nesta manhã, em busca de uma direção para o dia. A gigante do setor de consumo Unilever subia 2,5%, mais cedo, após concordar em pagar US$ 3,7 bilhões, em dinheiro, pela norte-americana Alberto Culver, do segmento de produtos para o cabelo. A rival no setor de alimentos, Nestlé, ganhava 0,6% há pouco, reagindo ao anúncio de criação de uma nova subsidiária, a Nestlé Health Science, que irá incorporar as atividades da Nestlé Healthcare Nutrition. Já a rede varejista Carrefour caía 1,2%, mais cedo. No setor financeiro, HSBC perdia 0,4%, instantes atrás, após o banco anunciar trocas no comando do conglomerado financeiro. Ainda no setor, Barclays perdia 0,5%. Entre as empresas de telecomunicações, a Vivendi crescia 0,8%, mais cedo, após anunciar a conclusão da venda de uma fatia de 7,66% da NBC Universal para a General Eletric por US$ 2 bilhões. Os 12,34% restantes detidos pela companhia francesa serão vendidos por US$ 3,8 bilhões, após a GE finalizar uma transação com a Comcast. Entre outros destaques, há pouco, Accor subia 2%, após receber
um upgrade do Credit Suisse, e Pernod Ricard tinha alta de 2,4%. Às 8h27 horas, a Bolsa de Londres tinha leve baixa de 0,04%, Paris avançava 0,11% e Frankfurt subia 0,12%.

Futuros de NY na linha d'água - Os índices futuros de Nova York tentavam se apoiar nos ganhos vindos da Europa para se sustentar no terreno positivo nesta manhã, com o noticiário corporativo roubando as atenções dos investidores na ausência de dados econômicos importantes para o dia. Contudo, operadores destacam que os indicadores dos EUA previstos para esta semana, com termômetros sobre a atividade norte-americana e a confiança do consumidor, não devem alterar o retrato sobre a economia do país, colocando obstáculos para o mercado norte-americano de ações buscar uma quinta semana consecutiva de ganhos. "Com a chegada do fim do mês e do trimestre, a tentação de embolsar lucros pode pesar no sentimento dos negócios", diz em nota o estrategista de mercados do IG, Ben Potter. No front corporativo, destaque para o Wal-Mart, que fez uma oferta preliminar, não solicitada, para comprar a sul-africana Massmart Holdings, por US$ 21,13 por ação, ou US$ 4,6 bilhões. Às 8h28, o futuro do S&P 500 tinha leve
alta de 0,08% e o futuro do Nasdaq 100 subia 0,07%.

Euro cai com temor sobre bancos - O euro perdeu força ante o dólar nesta manhã, mas sustentava-se acima de US$ 1,34, com os investidores digerindo o downgrade em três notas promovido pela Moody's no rating do Anglo Irish Bank, com perspectiva de revisão para novos rebaixamentos. A medida intensificou as preocupações dos agentes quanto à saúde financeira dos bancos e os riscos associados à crise fiscal em alguns países da zona do euro. No fim desta semana, o ministro de Finanças irlandês, Brian Lenihan, deve publicar novos detalhes sobre os custos de socorrer financeiramente a instituição. O franco suíço mantinha a escalada ante o euro, ao passo que o dólar permanecia retraído com os temores de uma nova intervenção cambial do governo japonês - o que ainda não aconteceu. As preocupações com a alta do iene ficaram parcialmente ofuscadas pelas persistentes esperanças de intervenção governamental no mercado de câmbio e de medidas adicionais de alívio monetário por parte do Banco do Japão (BoJ, banco central), como um novo pacote de ajuda financeira, de 4,6 bilhões de ienes (US$ 55 bi), para estimular a economia. Às 8h30, o euro valia US$ 1,3481, de US$ 1,3494 no fim da tarde de sexta-feira em Nova York; o dólar era
cotado a 84,23 ienes, de 84,28 ienes na última sessão.

Yuan tem décima sessão seguida de alta ante o dólar - O sentimento geral no mercado de moedas também foi afetado por mais um sinal de que Pequim não irá acatar as pressões de Washington para acelerar a valorização do yuan. A moeda chinesa registrou o décimo dia seguido de apreciação, apesar de o Banco Central chinês elevar a taxa de paridade central dólar-yuan, de 6,6997 yuans para 6,7098 yuans. No mercado de balcão chinês, o dólar fechou cotado em 6,6923 yuans, de 6,7079 yuans do fechamento de terça-feira passada.

Empréstimos para negócios na zona do euro crescem em agosto - Os empréstimos bancários a empresas na zona do euro cresceram em agosto, após um declínio em julho. Segundo o Banco Central Europeu (BCE), os empréstimos bancários a empresas na região somaram € 17 bilhões no mês passado, mais que revertendo uma queda de € 11 bilhões no mês anterior. Já os empréstimos às famílias chegaram a € 14 bilhões em agosto, de € 5 bilhões em julho, com a taxa de crescimento anual subindo para 2,9%, de 2,7%. A taxa de crescimento dos empréstimos ao setor privado acelerou para 1,2%, de 0,8%, na mesma base de comparação.

China lança novo sistema de empréstimo interbancário - A China lançou oficialmente um novo sistema para permitir que os bancos negociem empréstimos no mercado interbancário do país, ajudando as instituições a aumentar o capital e reduzir os riscos, além de levar a uma maior liberalização das taxas de juros. Segundo o Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país), as regras sobre transferência de empréstimos, o gerenciamento de crédito após vendas e o modo de lidar com a inadimplência terão uma função de guia importante na China, ao mesmo tempo que os bancos mudam seus métodos operacionais, melhoram o gerenciamento de ativos e aumentam a qualidade do capital. O presidente do PBOC, Zhou Xiaochuan, afirmou que o sistema vai ajudar a melhorar a transmissão da política monetária, reforçando ajustes macroeconômicos e o controle do setor financeiro.

Ouro testa marca recorde; petróleo avança - Os contratos futuros de ouro superaram levemente a marca recorde de US$ 1.300,00 por onça-troy, durante as negociações eletrônica na Ásia, estendendo os ganhos da semana passada em meio à desvalorização do dólar e à fuga por ativos seguros. Mais cedo, o contrato futuro do metal precioso com vencimento em dezembro bateu a máxima a US$ 1.300,70, abaixo, ainda, que a máxima intraday da última sexta-feira, em Nova York, a US$ 1.301,60. Já o petróleo era negociado nos maiores níveis em mais de duas semanas, acompanhando o rali nos mercados de ações e impulsionado pela queda do dólar, o que se contrapunha às preocupações sobre o excesso de estoques da commodity. Às 8h33, o contrato futuro do petróleo WTI com vencimento em novembro subia 0,54%, a US$ 76,90 por barril.

Bolsas de Tóquio e da Ásia fecham em alta - A Bolsa de Tóquio fechou em alta de 1,4% hoje, pela primeira vez em quatro dias, uma vez que as ações do setor exportador deixaram de lado temporariamente as preocupações com a valorização do iene depois do forte rali nas bolsas dos EUA na última sexta-feira. As ações das financeiras japonesas, porém, despencaram com os temores provocados pela notícia de que a Takefuji, uma das líderes do setor, pode pedir concordata devido à explosão dos refinanciamentos solicitados pelos clientes por causa da cobrança de taxas de juros excessivos. Os demais mercados da Ásia também iniciaram a semana em alta, estimulada, principalmente, pelo bom desempenho de Wall Street na sexta-feira. A Bolsa de Hong Kong subiu pela sexta sessão seguida, para o melhor resultado em mais de oito meses, alavancada ainda pelos ganhos no setor imobiliário. O índice Hang Seng avançou 1% e terminou no maior nível desde 11 de janeiro. As Bolsas da China também tiveram forte alta, após o feriado nacional de três dias na semana passada. Os investidores foram estimulados pelo rali das commodities e o índice Xangai Composto subiu 1,4%. A Bolsa de Seul, na Coreia do Sul, encerrou em alta, na maior pontuação em
quase dois anos e meio. O índice Kospi subiu 0,8%. Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 da Bolsa de Sydney teve alta de 1,6%.

Êxito da oferta de Petrobras não evitou Bolsa em baixa na sexta-feira

Ações da estatal caíram na sexta-feira e Bovespa descolou-se de NY - O day after do fechamento do preço da oferta de ações da Petrobras foi marcado por ajuste generalizado nos papéis do Ibovespa, que, dessa forma, assumiu trajetória independente das bolsas em Nova York, que tiveram avanço firme. A Bolsa brasileira recuou 0,87%, aos 68.196,48 pontos, mas teve valorização de 1,65% na semana. Os papéis da estatal recuaram, dada a convergência das cotações da véspera para exatamente o preço da oferta, e movimentaram o equivalente a quase 25% do volume total da Bovespa, de R$ 11 bilhões. Petrobras PN recuou 1,87% e Petrobras ON, 1,98%. Mas a outra blue chip, Vale, também se destacou, com ganho de mais de 3% no papel PNA, em reação a uma série de anúncios feitos pela mineradora, entre eles o de que vai recomprar até US$ 2 bilhões em ações.

Expectativa de aplicação do caixa da Petrobras também elevou debate no mercado de juros - O anúncio do volume da capitalização da Petrobras, de até R$ 120,360 bilhões, sendo que deste total R$ 45,5 bilhões vão para o caixa da empresa, também agitou os bastidores do mercado de juros no segmento de títulos públicos. Há expectativa de que ao menos parte desses recursos possa ser direcionada à renda fixa, como opção de investimento da empresa enquanto maturam os projetos do pré-sal. Nos DIs, o fluxo aplicador dos estrangeiros colocou as taxas em trajetória de queda por toda a sessão. . Em nova sessão de giro limitado, o janeiro de 2012 (154.765 contratos) fechou estável em 11,55%; o DI janeiro de 2013 (179.200 contratos) encerrou em 11,81%, de 11,86% no ajuste de ontem; o DI janeiro de 2014 (61.680 contratos) recuou a 11,72%, de 11,80% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2011 (83.225 contratos)
ficou estável em 10,67%.

Dólar caiu ante o real - A moeda acompanhou a tendência global, também reforçada pela expectativa de entrada de fluxo externo. No balcão, a moeda fechou a R$ 1,711, com recuo de 0,41% na sexta-feira e na semana.

(Equipe AE)

Fonte: AE Broadcast

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