Surpresa positiva com PIB dos EUA não anula impacto de forte desaceleração
SÃO PAULO -
Uma sexta-feira (27) incomum. Dia de parar para ver os números revistos
do PIB (Produto interno Bruto) dos EUA, ainda a maior economia global,
em meio a expectativas de forte desaceleração do crescimento no segundo
trimestre deste ano. Os dados trouxeram leve surpresa positiva, ainda
que insuficientes para trazer tranquilidade aos mercados.
A primeira estimativa para o crescimento do PIB norte-americano foi
de 2,4%. Entretanto, a certeza de dados piores desta vez tinha um motivo
muito claro, na visão de André Perfeito, da Gradual Investimentos: "a
expectativa era que o déficit comercial daquele país erodisse de vez o
dinamismo econômico recente", afirmou em relatório.
Surpresa
A economia norte-americana avançou 1,6% no segundo trimestre de 2010, de acordo com a segunda prévia dos dados anualizados, divulgada pelo Departamento de Comércio dos EUA, enquanto as expectativas do mercado sugeriam um aumento de 1,4% na atividade do país.
Entretanto, a sequência desfavorável de indicadores divulgados nas
últimas semanas, constantemente piores que as projeções do mercado,
prenunciavam uma sessão de horror nesta sexta-feira, com o
encaminhamento para uma nova recessão. Não foi o que ocorreu, sendo a
reação inicial dos mercados de ações positiva - reforçada depois pelo
discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke.
Efeito Câmbio
Na visão de Perfeito, por mais esforços que o Fed tenha empreendido para desvalorizar o dólar, a moeda continuou sendo tomada pelos investidores como um refúgio frente às incertezas com a crise fiscal na Europa, além da desconfiança sobre o euro. "O dólar valorizou-se e a conta corrente voltou a explodir", destaca o economista.
Para ele, existe uma batalha cambial sendo travada por moedas como
yuan, dólar e euro. O vigoroso crescimento registrado pela Alemanha no
segundo trimestre teria sido uma consequência direta das rendas obtidas
com o comércio externo, facilitando o processo de recuperação econômica
no país.
Além disto, a revisão das estimativas sobre os estoques teve
importante impacto na formação do PIB durante o segundo trimestre,
caindo de US$ 28 bilhões para US$ 19 bilhões entre a primeira e a
segunda prévia.
Longe dos trilhos...
Dias em que dados importantes são divulgados sempre são assim: muita expectativa. Grandes expoentes mantiveram o olhar severo frente à anêmica recuperação do país, como o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman e Mohamed El-Erian, chefe da gestora de investimentos Pimco.
"Isto, em circunstância alguma, pode ser considerado uma
recuperação", apontou Krugman em sua coluna no New York Times, antes da
divulgação dos dados desta sexta-feira.
...Mas na direção correta?
Ainda que não se possa comemorar os dados divulgados neste dia, existem fatores positivos na visão dos analistas. "A economia dos EUA já sinaliza o retorno ao antigo patamar, e isto pode reacender os investimentos", conclui André Perfeito.
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