Ibovespa abre em queda, sob receios fiscais na Europa e agenda dos EUA


SÃO PAULO - Com o intenso retorno das questões fiscais europeias aos debates econômicos e as incertezas que rondam a recuperação da maior economia do globo, o Ibovespa inicia o pregão desta quarta-feira (25) em queda de 1,25%, aos 65.156 pontos.
Na Europa, os principais índices da Inglaterra, Alemanha e França recuam 1,25%, 0,89% e 1,47%, respectivamente, enquanto no mercado futuro nos EUA, a tendência é a mesma: o S&P 500, Dow Jones e o Nasdaq Composite mostram quedas respectivas de 0,77%, 0,63% e 0,85%.

Dentre os papéis que são negociados nesta manhã, destaque para Brasil Telecom PN (BRTO4, R$ 10,70, -1,02%),  CCR Rodovias ON (CCRO3, R$ 38,61, -0,80%),  TIM Participação PN (TCSL4, R$ 4,83, -0,62%),  Vale ON (VALE3, R$ 46,55, -0,53%) e Vivo Participação PN (VIVO4, R$ 43,48, -0,53%). 

Análise técnica

Régis Sarmiento Chinchila, analista técnico da Gradual Corretora, observa que o Ibovespa “fechou novamente em queda e abaixo da média móvel de 50 dias, encontra um ligeiro suporte na faixa de 65.150 pontos, porém no curto prazo deve seguir em trajetória de baixa até o suporte em 63.670 pontos”.

Já na outra ponta, observa que o benchmark “mostrará algum sinal de alta voltando a fechar acima de 65.700 pontos, mas somente fortalece os compradores mesmo superando o último topo em 67.789 pontos”. 

Perspectiva

“As próximas sessões de negócios ainda serão marcadas por volatilidade e pela reação dos agentes econômicos à espera da agenda americana”, prevê a equipe de analistas da Ágora Corretora.

Questão fiscal volta ao primeiro plano

Do Velho Continente vem o principal vetor dos temores nesta manhã. Citando os elevados custos para sustentar o setor financeiro do país, a agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor’s) cortou na última terça-feira - após fechamento dos mercados - o rating irlandês de longo prazo de AA para AA-, com perspectiva negativa – o que indica que pode haver um novo movimento de redução da nota de crédito em breve. 

O movimento da agência, além de retomar os receios nos mercados quanto à situação fiscal europeias, os quais vinham minguando nos últimos meses, ainda ofusca a melhora inesperada na confiança do empresariado alemão, divulgada nesta manhã, que subiu para o nível mais elevado desde junho de 2007, sugerindo que sua economia poderá não se retrair tanto como o esperado.

Acrescentando ainda mais dúvidas quanto ao rumo da economia global, o INE (Instituto Nacional de Estatísticas da Espanha) revisou nesta quarta-feira para cima a dimensão da recessão espanhola em 2009, calculando uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,7%, ao invés dos 3,6% estimados no início deste ano.

EUA: recuperação em xeque

E não só o Velho Continente deflagra mau humor nos mercados nesta manhã, pois cruzando-se o Atlântico, os dados também não animam.
 O número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria norte-americana veio pior que o esperado pelo mercado durante o mês de julho. O indicador Durable Good Orders exibiu alta de 0,3% no referido mês, número abaixo do previsto por analistas, que previam alta de 3%.

Ainda por lá, chama atenção também a divulgação do New Home Sales, trazendo o número de vendas de casas novas nos EUA no mês passado. Cabe lembrar que na véspera, a divulgação do número de vendas de casas usadas, as quais ficaram bem abaixo das expectativas dos analistas durante o mês de julho, trouxe grandes receios quanto à saúde do setor imobiliário do país.

Front doméstico

Por aqui, a atenção dos investidores deve recair sobre o IPC-Fipe (Índice de preços ao consumidor) referente à terceira quarissemana de agosto. O indicador da terceira quadrissemana de agosto apontou inflação de 0,21%, taxa 0,01 ponto percentual superior à vista na mediação anterior.

Fechamento anterior
 
O principal índice da bolsa paulista fechou o pregão de terça-feira em baixa de 1,25%, atingindo 65.156 pontos e registrando uma baixa acumulada no ano de 5,00%. O volume financeiro foi de R$ 4,97 bilhões.
 

Fonte: InfoMoney

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