Em forte queda na sessão, siderúrgicas sucumbem a perspectivas negativas
SÃO PAULO – O
mercado brasileiro de aço não vive um bom momento e os papéis de suas
principais companhias devem refletir tal cenário. A visão é
compartilhada pelos analistas da Link Investimentos e do Barclays, e vem
ao encontro da queda das ações da Usiminas e das grandes siderúrgicas
no pregão desta quinta-feira (26).
As ações ordinárias e preferenciais classe A da Usiminas operam com
fortes desvalorizações de 3,43% e 3,15% nesta tarde. Confira as cotações
das principais companhias do setor e a variação frente ao fechamento de
quarta-feira:
| Papel | Código | Cotação | Variação |
|---|---|---|---|
| Usiminas ON | USIM3 | R$ 45,88 | -3,43% |
| Usiminas PNA | USIM5 | R$ 43,96 | -3,15% |
| Gerdau Metalúrgica PN | GOAU4 | R$ 27,54 | -2,10% |
| Gerdau PN | GGBR4 | R$ 23,03 | -1,79% |
| Gerdau ON | GGBR3 | R$ 17,10 | -1,72% |
| CSN ON | CSNA3 | R$ 26,87 | -1,25% |
Estoques em alta, preços em queda
“As tendências atuais à indústria de aço são desfavoráveis e muito provavelmente veremos uma fase de desestocagem nos próximos meses”, dizem Leonardo Correa e Renato Antunes, dupla de analistas que assina o relatório do Barclays sobre o assunto.
A equipe da Link, por sua vez, prefere comentar as declarações de
Christiano da Cunha Freire, presidente da Frefer Metal, uma das maiores
distribuidoras independentes de aço do Brasil, para quem as siderúrgicas
nacionais reduzirão fortemente seus preços no segundo semestre desse
ano.
“Os preços do aço plano já caíram entre 10% e 20% nas duas últimas
semanas. Mas apenas reduzir os preços não é uma solução. Será necessário
cerca de 90 dias para os estoques caírem para níveis aceitáveis”, disse
Freire. A Link concorda: “nesse momento de um pequeno arrefecimento na
demanda de aço no Brasil, os preços parecem estar caindo, já que os
estoques estão bastante altos e as importações, bem baratas”, afirma o
analista do setor siderúrgico, Leonardo Alves, em relatório.
A visão do Barclays é bastante semelhante. Correa e Antunes apostam
numa “mini-guerra de preços por vir”, em função dos altos estoques, “de
importações anormalmente altas”, da competição crescente com
distribuidores independentes e de uma leve redução na demanda.
Usiminas, a mais prejudicada
Numa comparação por produtos, a dupla de analistas observa que o segmento de aços planos vem apresentando a performance mais fraca no mercado, com os maiores declínios tanto em remessas (de 8% em julho frente a junho) e encomendas (de 47% na mesma base de comparação mensal - os números são da INDA (Instituto Nacional de Distribuidores de Aço).
Para o Barclays, a Usiminas é a empresa mais impactada pelos fracos
números, uma vez que ocupa a liderança nacional e uma posição de forte
destaque no mercado global de aços planos.
Cautela geral ao setor
Embora a Usiminas seja a mais impactada, a visão cautelosa da Link e do Barclays estende-se às ações do setor como um todo. “Recomendamos que reduzam suas exposições às siderúrgicas brasileiras”, dizem Correa e Antunes, que completam: “os downgrades devem continuar”.
Em palavras similares, a equipe da Link alerta: “as grandes
produtoras de aço no Brasil irão sofrer, e ao contrário do aumento
sugerido para este final de ano, poderemos ver uma queda, o que
prejudicará os resultados e potencialmente derrubará as ações”.
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