Hungria apresenta medidas contra crise e governo quer criar "novo sistema econômico"

8 de junho de 2010  - O novo primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, apresentou hoje em Budapeste seu plano econômico e tributário, que inclui reduções de impostos de algumas empresas e cortes nos gastos públicos, para superar a grave crise que sofre o país. Após três dias de reuniões do gabinete governamental, Orban assinalou hoje no Parlamento que o objetivo de seu Governo é "criar um novo sistema econômico".


No centro das medidas anunciadas, está uma redução do imposto sobre empresas com baixos lucros, que cairá de 19% para 10%, e a introdução de uma taxa única de renda em 16%, que deve entrar em vigor nos próximos dois anos.

Por outro lado, se aplicará um novo imposto aos bancos e às companhias seguradoras, com o qual espera arrecadar € 700 milhões anuais durante os três anos em que esta medida estará em vigor.

A Hungria "não precisa regular o sistema fiscal anterior", mas "criar um novo", disse o líder do partido conservador Fidesz.

O anúncio de Orban era esperado com nervosismo pelos mercados financeiros, que na semana passada caíram com força diante dos rumores de uma possível moratória da Hungria.

O primeiro-ministro reconheceu que ninguém confia na Hungria com o sistema fiscal atual. Segundo ele, "uma economia que cresce não pode se basear em um sistema no qual 2,5 milhões de contribuintes pagam por 10 milhões de pessoas".

Orban destacou "a importância de fomentar as pequenas e médias empresas" e de "simplificar a burocracia". Ele anunciou a eliminação de dez pequenos impostos, como a taxa sobre heranças de família.

Segundo os planos do Governo, a redução do imposto sobre empresas será aplicado às empresas com lucros inferiores a 500 milhões de forintes (1,8 milhões de euros).

Orban pretende economizar 426 milhões de euros com severos ajustes no setor público, que incluirá o congelamento dos gastos e uma reforma do esquema de salários, que reduzirá a massa salarial em 15%.

Além disso, o número de membros nas direções das empresas estatais cairá de 319 para 60, com um salário máximo de € 7 mil no caso de salários.

Em seu discurso, o primeiro-ministro também fez referência à controvérsia sobre os supostos dados orçamentários manipulados pelo Executivo anterior, liderado pelo economista independente Gordon Bajnai.

Membros do partido Fidesz haviam dito na semana passada que o Governo de Bajnai mentiu e manipulou os dados, e insinuaram que a Hungria se encontrava diante de uma situação similar à da Grécia, o que levou à queda das bolsas, do euro e do forinte (a moeda local).

Orban buscou minimizar a importância do assunto, dizendo que "isso é parte do passado". Segundo o premiê, ao Governo agora só "interessa o futuro". No entanto, ele deixou claro que pretende determinar a responsabilidade dos supostos casos de manipulação de dados.

A oposição social-democrata criticou com veemência o plano econômico do novo Governo e o acusou de não considerar os interesses das classes sociais baixas e de introduzir um sistema tributário "populista".

Zoltán Torok, analista do banco Raiffeisen, disse em declarações à agência "MTI" que as reformas anunciadas "marcam uma boa direção" e deveriam "aumentar a competitividade das empresas húngaras".

Assim também perceberam os mercados. Enquanto Orban apresentava seu programa, a cotação do forinte registrou altas.

A Hungria se viu obrigada em outubro de 2008 a pedir um empréstimo internacional de € 20 bilhões para evitar a quebra.

Para os próximos dias, espera-se em Budapeste uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para analisar a situação orçamentária do país, que para este ano prevê limitar o déficit a 3,8%.

Fonte: Último Instante

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