Dólar ganha forças em meio à apreensão nos mercados e fecha em alta de 1,25%
SÃO PAULO - Após ter fechado a sessão anterior com leve queda, o dólar comercial apresentou uma sólida trajetória positiva nesta quinta-feira (18), fechando com forte alta de 1,25%, sendo cotado na venda a R$ 1,787. Novas referências sobre a situação fiscal grega ligaram o sinal de alerta dos investidores. Indicadores econômicos norte-americanos também foram analisados.
Por aqui, vale mencionar que na véspera o Copom (Comitê de Política Monetária) optou por manter o juro básico brasileiro em 8,75% ao ano pela quinta vez consecutiva. Contudo, diferentemente da reunião anterior, não houve consenso entre os membros do comitê - a decisão de não mexer na Selic recebeu 5 votos a favor e 3 votos contra -, sinalizando que no próximo encontro em abril poderá ser marcado por alguma mudança no rumo da política monetária brasileira.
Grande parte dos analistas do mercado projetam que a taxa de juros do País sofra um aumento em 50 pontos-base no próximo mês, passando para 9,25% ao ano.
Já nesta quinta-feira, o Banco Central do Brasil realizou um leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista. A operação ocorreu mais cedo do que de costume, tendo sido realizada nesta sessão entre as 12h12 e as 12h22 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,787.
Grécia
No cenário internacional, as novas referências em torno da Grécia ajudaram a derrubar os ânimos dos mercados nesta sessão. Impaciente com a indefinição a respeito do provável plano de resgate feito por ministros europeus para ajudar a minimizar o déficit orçamentário do país, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, deu o prazo de até a próxima semana para que essa ajuda seja divulgada.
Segundo Papandreou, se a ajuda europeia não for suficiente, ele irá procurar o FMI (Fundo Monetário Internacional). Enquanto o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, opõem-se à Grécia ir buscar empréstimos do fundo, a chanceler alemã, Angela Merkel, manteve sua postura anti-ajuda e posicionou-se a favor de um pedido de resgate ao FMI.
Indicadores norte-americanos
Nos EUA, a agenda movimentada de indicadores não trouxe muitas surpresas. Tanto o número de pedidos de auxílio-desemprego na última semana quanto o Leading Indicators - que engloba vários índices já divulgados, como custo de mão-de-obra, permissões para construção entre outros - de fevereiro vieram praticamente em linha com o esperado.
Ainda por lá, o índice CPI (Consumer Price Index) ficou estável em fevereiro, contrariando as expectativas de inflação de 0,1%. Já, o Core PPI, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentação, exibiu variação positiva de 0,1%, em linha com o esperado.
Por fim, destaque para a atividade industrial na região da Filadélfia, que avançou mais do que o previsto na passagem de fevereiro para março. Durante esse período, o indicador passou de 17,6 pontos para 18,9 pontos, enquanto os analistas previam uma alta para 18,0 pontos.
Dólar a R$ 1,787
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7850 na compra e R$ 1,7870 na venda, forte alta de 1,25% em relação ao fechamento anterior.
Apesar desta alta, o dólar acumula desvalorização de 1,22% em março, frente à queda de 4,13% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 2,63%.
Apesar desta alta, o dólar acumula desvalorização de 1,22% em março, frente à queda de 4,13% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 2,63%.
Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em abril encerrou o dia cotado a R$ 1.791, forte alta em relação ao fechamento de R$ 1.773 da última quarta-feira. O contrato com vencimento em maio, por sua vez, fechou em forte alta, atingindo R$ 1.804 frente à R$ 1.781 do fechamento de ontem.
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,7865000.
FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,05% para maio de 2010, 0,03 ponto percentual abaixo do que foi visto no último fechamento.
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