Contrariando mercado, LCA mantém projeção de alta na Selic somente em junho
SÃO PAULO – A despeito da recente piora nas expectativas inflacionárias do mercado, não há razão para esperar um aperto monetário mais cedo que o previsto por parte do Copom (Comitê de Política Monetária). A mensagem guia relatório enviado nesta terça-feira (2) pela LCA Consultores.
Segundo a equipe, a lenta recuperação econômica externa e as perspectivas de desaceleração do ritmo de alta dos preços por aqui, aliados a recentes medidas tomadas acerca do recolhimento de compulsórios, sustentam um cenário no qual “o Banco Central ainda deverá esperar algum tempo para começar a elevar a Selic”.
Compulsórios
Há cerca de 10 dias, o Banco Central anunciou um aumento na alíquota do recolhimento compulsório sobre os depósitos bancários para 15%, em uma medida que, segundo a LCA, deverá devolver aos cofres da autoridade “pouco mais de R$ 70 bilhões dos quase R$ 100 bilhões que foram liberados emergencialmente durante a crise”.
Ainda de acordo com a equipe de consultores, a decisão do BC tem, na prática, o mesmo efeito que uma elevação da ordem de 1,4 ponto percentual na taxa Selic. Ainda assim, boa parte das instituições do mercado continua apostando em uma antecipação do aperto monetário, em uma previsão, segundo a LCA, um tanto equivocada.
Conjuntura
Se, de um lado, a medida tomada pelo BC já contribui para certa contração na política monetária brasileira, de outro, o cenário externo segue incerto. “A recuperação desbalanceada da economia global sugere ser improvável que os preços internacionais do petróleo e das commodities industriais retornem aos patamares recordes de 2008”, diz a LCA.
Por aqui, o que vem se constatando recentemente é um preocupante estreitamento dos níveis de ociosidade da economia. No entanto, a LCA não prevê um decorrente descompasso entre oferta e demanda. “Primeiro, porque o investimento vem se recuperando de maneira consistente, de modo que a capacidade de oferta tende a se expandir nos próximos anos. Depois, porque o consumo das famílias parece estar se acomodando, como sugerem indicadores mais recentes sobre o comércio varejista”, explicam os consultores.
A conclusão da LCA é de que, portanto, a economia brasileira encontra-se em moderada desaceleração frente ao ritmo muito expressivo de expansão constatado no segundo semestre do ano passado, em um quadro que “tenderia a manter contidas as pressões inflacionárias associadas à evolução da demanda”.
Inflação
Além das conjunturas doméstica e externa, fatores específicos atrelados ao cenário inflacionário também sugerem calma àqueles mais temerosos quanto a altas na taxa Selic. Segundo a LCA, já a partir de março, os principais índices de inflação do País devem começar a mostrar desaceleração do ritmo de alta dos preços.
De acordo com os consultores, focos pontuais que trouxeram pressão aos indicadores no início do ano começam a se diluir, tais como: os reajustes em tarifas de serviços públicos, sobretudo relacionados aos transportes urbanos; a pressão sazonal do álcool, dada a entressafra da cana-de-açúcar: reajustes de mensalidades escolares; e choque na oferta de alguns alimentos, em função de um regime de chuvas mais intenso que o comum.
Projeções para Selic
“Nesse contexto, não vimos razão para alterar nossa projeção de que o Banco Central ainda deverá esperar algum tempo para começar a elevar a Selic e irá promover um aumento total de juros de 250 pontos-base - divididos em cinco elevações consecutivas de 50 pontos-base, entre junho e dezembro deste ano”, conclui a LCA.
Vale a pena lembrar que o próximo encontro do Copom está agendado para os dias 16 e 17 de março. Em sua última reunião, ocorrida em 26 e 27 de janeiro, a autoridade optou por deixar a taxa Selic inalterada em seu atual patamar de 8,75% ao ano, completando um ciclo de quatro manutenções consecutivas.
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