Bolsas europeias encerram em baixa, pressionadas pelo setor de commodities
SÃO PAULO – As principais bolsas europeias voltaram a operar no negativo nesta sexta-feira (19), em resposta às análises feitas pelas agências de classificação de risco S&P (Standard & Poor’s) e Fitch. A preocupação sobre o rating do Reino Unido e dos Estados Unidos eclipsou o movimento de alta apresentado pelos ativos do setor bancário durante a sessão.
Depois do alerta dos analistas da Moody´s, foi a vez da Fitch reiterar sua preocupação com a classificação soberana de Reino Unido e Estados Unidos. Segundo a equipe da Fitch, a crise global “deteriorou” os fundamentos que sustentam o rating AAA dado aos países.
Já a agência S&P mostrou-se preocupada com o progresso da economia grega nos próximos anos, principalmente do setor financeiro. Segundo os analistas, os bancos enfrentarão um cenário “desafiador” em função do momento da economia, fato que eleva a probabilidade de corte das notas de crédito das instituições nos próximos meses.
Grécia
Além disso, o plano de resgate ao país está estremecido após a Alemanha aventar a possibilidade da Grécia pedir ajuda ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para conter a crise fiscal. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, discorda da posição da Alemanha. Uma autoridade do governo francês disse à agência Bloomberg que a França defende uma solução europeia para a economia grega amenizar seu déficit orçamentário.
Setor bancário
Os papéis do Lloyds dispararam 8,27% na bolsa de Londres, após o banco prever um bom lucro para este ano em função da retomada do fluxo de negócios e a queda dos empréstimos de maior risco na composição da carteira de crédito.
O cenário mais otimista para o setor sustenta a alta dos bancos RBS (+4,76%) e Barclays (+1,33%) na bolsa londrina. O desempenho do setor foi essencial para segurar a leve alta de 0,13% do índice FTSE 100, contrariando tendência de queda dominante na sessão.
Na França, o destaque de alta também fica com os principais bancos do país, como Crédit Agricole (+2,00%), Société Générale (+0,77%) e BNP Paribas (+0,21%).
Retirada de estímulos
No entanto, o fôlego de subida decaiu ao longo da tarde, após o Banco Central indiano anunciar uma elevação na taxa de juros básico do país de 3,25% ao ano para 3,5%. O mercado recebeu com surpresa a notícia, apesar da inflação estar no maior patamar em 16 meses, já que a reunião de política monetária da Índia estava marcada para daqui cerca de um mês.
Além disso, especula-se que o Fed irá elevar a taxa de redesconto antes da próxima reunião do FOMC (Federal Open Market Committee). A retirada de estímulos à economia deixa mais uma vez os investidores temerosos de que o crescimento global ainda não conseguirá se sustentar sem a ajuda dos governos.
Commodities em baixa
Também pressionando os índices ficaram as ações das empresas dos setor de commodities, cujos preços desvalorizaram-se nesta sessão. Na França, a ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, caiu 2,17%.
Em Frankfurt, a ThyssenKrupp recuou 1,49% e a Salzgitter apresentou queda de 0,83%. Em Londres, destaque de quedas para as mineradoras, como Xstrata (-2,31%), Antofagasta (-1,63%), Rio Tinto (-1,60%) e Kazakhmys (-1,40%).
Destaques corporativos
Em Londres, as ações da British Airways subiram 0,41% após o anúncio de que as cúpulas da empresa inglesa e da Iberia devem aprovar na próxima quinta-feira (25) a fusão das duas companhias aéreas, segundo reportagem publicada pelo periódico espanhol Expansión, citando fontes próximas às negociações.
A relojoaria Swatch avançou 1,6%, em resposta à previsão de que as vendas devem ser de 6 bilhões de francos, em comparação aos 5,45 bilhões de francos de 2009.
Confira as cotações
O índice FTSE 100 da bolsa de Londres apresentou leve alta de 0,13% e atingiu 5.650 pontos, acumulando no ano forte alta de 4,38%.
Por outro lado, CAC 40 da bolsa de Paris encerrou em leve baixa de 0,32%, atingindo 3.925 pontos chegando a uma valorização0,28% no ano. A Bolsa de Frankfurt, apresentou uma leve baixa de 0,50% , atingindo 5.982 pontos, acumulando uma forte desvalorização de 0,42%.
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